Um orçamento de site bem-feito não é uma lista de preços — é o documento que define o que você vai entregar, o que não vai, e o que acontece quando o cliente pedir algo a mais. É por isso que ele evita mais problema que qualquer contrato assinado depois.
Este guia mostra o que incluir item a item, como precificar cada parte, os erros que fazem projeto dar prejuízo, e traz um modelo pronto para adaptar ao seu caso.
| O que todo orçamento precisa | Escopo, prazo, valor, forma de pagamento e validade |
| O item mais esquecido | O que não está incluído |
| O erro mais caro | Não limitar o número de revisões |
| O que separa amador de profissional | Cobrar por entregável, não por hora estimada no chute |
Conteúdo
O que um orçamento de site precisa ter
Antes dos valores, a estrutura. Um orçamento incompleto gera retrabalho e discussão — e quase sempre no meio do projeto, quando já é tarde.
São nove blocos:
1. Identificação. Seus dados, os do cliente, número do orçamento e data. Numerar parece burocracia até você ter três versões do mesmo orçamento circulando.
2. Entendimento do projeto. Dois parágrafos resumindo o que você entendeu que o cliente quer. É o bloco que mais evita conflito — se o entendimento estiver errado, ele corrige agora, e não na entrega.
3. Escopo detalhado. O que será entregue, item por item. Número de páginas, funcionalidades, integrações.
4. O que não está incluído. Explícito, em lista. Voltamos a isso, porque é o item mais importante do documento.
5. Prazo. Em dias úteis, com as etapas. E com a ressalva de que o prazo depende do cliente entregar o conteúdo.
6. Valor e forma de pagamento. Total, condições, e o que acontece em caso de atraso.
7. Custos recorrentes. Hospedagem, domínio, licenças. Separados do valor do projeto.
8. Validade da proposta. 15 ou 30 dias. Sem isso, alguém volta seis meses depois cobrando o preço antigo.
9. Próximos passos. Como aceitar, o que acontece depois.

O que cobrar por cada item
Aqui está a parte difícil, e vamos ser diretos sobre por quê: não existe tabela de preços da categoria. O mesmo site institucional é cobrado por valores muito diferentes conforme a região, a experiência de quem faz e o porte do cliente.
O que existe são princípios de precificação que funcionam.
Cobre por entregável, não por hora
Cobrar por hora tem dois problemas. Você é penalizado por ficar mais rápido — quanto mais experiente, menos ganha pela mesma entrega. E o cliente compara horas, não resultado.
Cobrar por entregável inverte isso: o valor é do site pronto, não do tempo gasto. Se você leva metade do tempo por saber mais, o ganho é seu.
Como chegar ao número
1. Estime as horas de trabalho — mesmo cobrando por entregável, você precisa saber quanto tempo custa.
2. Defina seu valor-hora real. Não é o salário dividido por 160. Freelancer não fatura 100% das horas: parte do tempo vai para prospecção, orçamento, cobrança, e trabalho não pago. Uma referência prática é considerar que 60% das horas trabalhadas são faturáveis — se você quer receber R$ 8.000 por mês trabalhando 160 horas, o valor-hora não é R$ 50, é próximo de R$ 83.
3. Multiplique e acrescente margem para o imprevisto que sempre existe.
4. Compare com o mercado da sua região e ajuste. Se o resultado estiver muito acima, ou você está superestimando as horas, ou o cliente não é o certo.
As camadas de complexidade
O que faz o preço variar, em ordem de impacto:
Quantidade de páginas. Um site de 5 páginas e um de 30 não custam proporcional — mas a diferença é real.
Se o layout é personalizado ou baseado em tema. É a maior variação de esforço do projeto inteiro.
Funcionalidades. Formulário simples é uma coisa; área de membros, integração com sistema, cálculo de frete são outra.
Se o conteúdo vem pronto. Escrever textos e tratar imagens é trabalho de verdade, e frequentemente o cliente presume que está incluso.
E o volume de reuniões. Um cliente que quer reunião semanal custa mais que um que responde por e-mail. Vale considerar isso no preço, ainda que não apareça no orçamento.
Os itens que ninguém lembra de cobrar

Esta é a seção que salva projeto de dar prejuízo. São seis itens que consomem tempo real e quase nunca entram no orçamento.
Redação dos textos. O cliente manda “o material” e vem um documento desorganizado, ou nada. Escrever texto de site é serviço próprio — ou está no escopo com valor, ou está explicitamente fora.
Tratamento de imagens. Redimensionar, recortar, otimizar. Um catálogo de 200 produtos com fotos em tamanho de câmera é dia inteiro de trabalho.
Migração de conteúdo. Se existe um site antigo, transferir o conteúdo dele não é automático.
Configuração de e-mail. Criar as contas, configurar nos dispositivos do cliente, resolver o que não chega. É o serviço que mais gera chamado depois da entrega, e quase nunca aparece no orçamento.
Treinamento. Ensinar o cliente a atualizar o próprio site. Duas horas, no mínimo, e é o que reduz o suporte eterno depois.
E o suporte pós-entrega. Sem prazo definido, ele é infinito. Trinta ou sessenta dias, escrito, e depois vira contrato de manutenção.
Os custos recorrentes: separe do projeto
Hospedagem, domínio e licenças de plugin não são custo do projeto — são custo de operação do site, e continuam existindo depois que você entregou.
Duas formas de tratar, e a segunda costuma ser melhor:
Repassar o custo. O cliente contrata direto no nome dele, e você só orienta. É mais simples e evita que você vire cobrador.
Incluir como serviço mensal. Você contrata, gerencia, e cobra um valor que inclui o custo mais a sua gestão. É o modelo que gera receita recorrente, e é o que transforma uma agência de projeto em projeto num negócio previsível.
A conta faz sentido: hospedagem compartilhada parte de poucos reais por mês, e um plano de revenda permite hospedar vários clientes com o mesmo custo — cada um com sua conta separada, sob a sua marca.
⚠️ E há um ponto que precisa estar no orçamento, sempre: em nome de quem fica o domínio. Se ficar no seu, o cliente depende de você para sempre — e o dia em que a relação terminar, vira conflito. O domínio deve ser registrado no nome do cliente, com o e-mail dele como contato. Escreva isso no documento.
Os erros que fazem o projeto dar prejuízo
Não limitar as revisões. É o mais caro de todos. Escreva “até duas rodadas de ajustes” — sem isso, o projeto não tem fim, e a quinta rodada custa o lucro inteiro.
Não definir o que trava o prazo. Se o cliente demora três semanas para mandar os textos, o prazo não é seu. Escreva que o cronograma começa a contar após o recebimento do material.
Aceitar pagamento só na entrega. Cinquenta por cento na assinatura é o padrão da categoria, e existe por um motivo: protege você do cliente que desiste no meio.
Orçar por telefone. Sempre por escrito, sempre com validade.
Não explicitar o que está fora. Vale repetir porque é o erro estruturante: um orçamento sem lista de exclusões transforma tudo em “eu achei que estava incluso”.
Cobrar barato demais para conseguir o projeto. Preço baixo atrai o cliente que negocia tudo, atrasa pagamento e pede mais do que combinou. E o preço que você cobra do primeiro cliente vira a referência que ele passa para os outros.
Modelo de orçamento de site
Abaixo está a estrutura completa, pronta para adaptar. Substitua o que está entre colchetes.
[CNPJ / CPF]
[e-mail] · [telefone]
[CNPJ / CPF]
[contato]
[Dois parágrafos resumindo o que o cliente precisa, com as suas palavras. Se o entendimento estiver errado, ele corrige agora — e não na entrega.]
- Site institucional com [5] páginas: [listar]
- Layout responsivo (desktop, tablet e celular)
- Desenvolvimento em [WordPress]
- Formulário de contato com envio por e-mail
- Integração com [Google Analytics]
- [Botão de WhatsApp]
- Otimização básica para buscadores
- Instalação e configuração da hospedagem
- Certificado SSL (HTTPS)
- [3] contas de e-mail no domínio
- Publicação e testes
- Até [2] rodadas de revisão sobre o layout aprovado
- Redação dos textos (cliente fornece)
- Fotografia e produção de imagens
- Compra de imagens de banco
- Tradução para outros idiomas
- Manutenção após [30] dias da entrega
- Campanhas de anúncios e gestão de redes sociais
- [Loja virtual / área de membros / integrações]
Itens fora do escopo podem ser orçados à parte.
[15] dias úteis, contados a partir do recebimento de todo o conteúdo e da aprovação deste orçamento.
| Estrutura e layout | [5] dias |
| Aprovação do cliente | [2] dias |
| Desenvolvimento | [6] dias |
| Ajustes e publicação | [2] dias |
O prazo é suspenso enquanto se aguarda material ou aprovação do cliente.
| Desenvolvimento do site | R$ [______] |
| [Configuração de e-mail] | R$ [______] |
| [Treinamento — 2h] | R$ [______] |
| TOTAL | R$ [______] |
- 50% na aprovação deste orçamento
- 50% na entrega, antes da publicação
| Registro de domínio | R$ [_____] / ano |
| Hospedagem | R$ [_____] / mês |
| [Licenças de plugins] | R$ [_____] / ano |
Titularidade: o domínio será registrado em nome do CLIENTE, com o e-mail dele como contato administrativo.
Suporte a dúvidas e correção de erros por [30] dias após a publicação. Após esse período, disponibilizamos plano de manutenção mensal — orçado à parte.
Responda este e-mail com “de acordo” ou assine e devolva este documento. Após a aprovação, enviaremos os dados para o pagamento inicial e a lista de material necessário.
Todo orçamento de site tem uma linha de hospedagem. Com um plano de revenda da Homehost, você hospeda todos os seus clientes com um custo só, cria as contas pela sua marca, e cobra a mensalidade que definir. Servidor no Brasil, WHM incluso, SSL grátis e suporte em português quando o cliente ligar.
Ver planos de revendaPerguntas frequentes
Como fazer um orçamento de criação de site?
Estruture em nove blocos: identificação, entendimento do projeto, escopo detalhado, o que não está incluído, prazo, valor e forma de pagamento, custos recorrentes, validade da proposta e próximos passos. O bloco mais importante é o de exclusões — sem ele, tudo vira “achei que estava incluso”.
Quanto cobrar por um site?
Não existe tabela da categoria, e os valores variam muito por região, experiência e porte do cliente. O método que funciona: estime as horas, defina seu valor-hora considerando que só cerca de 60% do seu tempo é faturável, multiplique, acrescente margem para imprevisto, e ajuste ao mercado da sua região.
Devo cobrar por hora ou por projeto?
Por projeto, na maioria dos casos. Cobrar por hora penaliza quem trabalha mais rápido e faz o cliente comparar horas em vez de resultado. Cobrar por entregável significa que ganhar experiência aumenta sua margem em vez de reduzir seu faturamento.
O que não pode faltar num orçamento de site?
Cinco coisas: o escopo detalhado, a lista do que não está incluído, o número máximo de revisões, o prazo com a ressalva de que depende do material do cliente, e a validade da proposta. As três primeiras são as que evitam prejuízo.
Quantas revisões devo incluir?
Duas rodadas é o padrão da categoria e funciona bem. O essencial é que o número esteja escrito — orçamento sem limite de revisões é projeto sem data de fim, e a quinta rodada consome o lucro inteiro.
Como cobrar a hospedagem no orçamento?
Separada do valor do projeto, na seção de custos recorrentes — porque ela continua existindo depois da entrega. Você pode repassar o custo, com o cliente contratando direto, ou incluir como serviço mensal seu, o que gera receita recorrente e é o modelo que sustenta uma agência entre um projeto e outro.
Em nome de quem fica o domínio?
Do cliente, sempre, com o e-mail dele como contato administrativo. Domínio registrado no nome do desenvolvedor é a fonte de conflito mais comum na área — e o dia em que a relação termina, o cliente descobre que o endereço da empresa dele é legalmente de outra pessoa. Escreva isso no orçamento.
Quanto tempo o orçamento deve valer?
Quinze ou trinta dias. Sem prazo de validade, alguém volta meses depois cobrando o valor antigo — e nesse intervalo mudou o seu custo, mudou o câmbio das licenças, e mudou o que você cobra.
Preciso pedir entrada?
É o padrão da categoria, e existe por um motivo. Cinquenta por cento na aprovação protege você do cliente que desiste no meio do projeto, e filtra quem não estava decidido. Trabalhar inteiramente para receber na entrega é assumir o risco sozinho.
O que fazer quando o cliente pede algo fora do escopo?
Responda que é possível, oriente que está fora do escopo aprovado, e mande um orçamento complementar. Fazer “de graça, porque é rápido” estabelece que o escopo é negociável — e a partir daí todo pedido seguinte vem com a mesma expectativa.
Conclusão
Um orçamento de site é o documento que define a relação inteira — e a maior parte dos problemas que aparecem no meio do projeto tem origem numa linha que não foi escrita no começo.
Três coisas carregam quase todo o valor. A lista do que não está incluído, porque é ela que separa o combinado do “achei que estava”. O limite de revisões, porque sem número o projeto não tem fim. E a titularidade do domínio, porque é o item que gera o conflito mais grave — e o mais evitável.
E há uma decisão de negócio escondida na linha de hospedagem. Repassar o custo é mais simples; assumir a gestão e cobrar mensalmente é o que transforma uma sequência de projetos num negócio com receita previsível. Vale pensar nisso antes do próximo orçamento, não depois.