Registro CNAME: o que é, como funciona e quando usar

Um registro CNAME é um apelido no DNS: ele aponta um nome de domínio para outro, em vez de apontar para um endereço IP. Quando você configura www.seusite.com.br para seguir seusite.com.br, é um CNAME que faz isso — o apelido www herda o destino do nome principal.

É um dos registros DNS mais usados e, ao mesmo tempo, um dos que mais gera erro de configuração — quase sempre pela mesma razão: o CNAME tem uma regra rígida que quase ninguém conhece, e ela é o motivo pelo qual “não dá para usar CNAME na raiz do domínio”. Este guia explica o que é o CNAME, como ele funciona, quando usar (e quando não), e como resolver o problema da raiz.

Resposta rápida

O registro CNAME (Canonical Name) aponta um nome de domínio para outro nome, e não para um IP — funciona como um apelido. Um CNAME em www.seusite.com.br apontando para seusite.com.br faz o www seguir sempre o destino do domínio principal. Regra de ouro: um nome com CNAME não pode ter nenhum outro registro — é por isso que não se usa CNAME na raiz do domínio (que precisa de MX e outros). Para a raiz, use um registro A ou a solução ALIAS/ANAME do seu provedor de DNS.

O que é um registro CNAME

O DNS funciona como uma agenda de contatos da internet: ele traduz nomes que humanos entendem em endereços que máquinas usam. O registro mais básico dessa agenda é o registro A, que liga um nome diretamente a um endereço IP — seusite.com.br200.151.24.50.

O CNAME (Canonical Name, ou nome canônico) faz algo diferente: em vez de apontar para um IP, ele aponta para outro nome. É um apelido. Quando alguém procura o apelido, o DNS responde “na verdade, o nome de verdade é este outro” e refaz a busca a partir dali.

Nome TIPO Valor ------------------------------------------------ www.seusite.com.br CNAME seusite.com.br seusite.com.br A 200.151.24.50

Nesse exemplo, quem acessa www.seusite.com.br recebe do DNS a instrução de olhar para seusite.com.br, que tem um registro A apontando para o IP. O resultado final é o mesmo endereço — mas por um caminho de duas etapas. Se quiser entender a agenda inteira, o servidor DNS é o guia do sistema como um todo.

Para que serve o CNAME

A vantagem do CNAME aparece na manutenção. Imagine um servidor com vários nomes apontando para ele: www, loja, blog, app. Há duas formas de configurar isso.

Com registros A, cada nome guarda o IP diretamente. Se o servidor muda de IP, você precisa editar todos os registros, um a um — e esquecer de um significa um subdomínio quebrado.

Com CNAME, cada nome aponta para o domínio principal, e só o principal guarda o IP num registro A. Muda o IP? Você edita um único registro, e todos os apelidos acompanham automaticamente. É a diferença entre atualizar uma agenda inteira e atualizar um contato só.

Por isso o CNAME é o registro natural para:

  • O www apontando para o domínio raiz (o uso mais comum de todos).
  • Serviços de terceiros: apontar loja.seusite.com.br para o endereço de uma plataforma de e-commerce, ou status.seusite.com.br para uma ferramenta externa.
  • Validação de domínio: Google, Microsoft e provedores de certificado costumam pedir um CNAME para provar que o domínio é seu.
  • CDN e cloud: o endereço de uma CDN muda de IP o tempo todo; um CNAME apontando para o nome dela absorve essas mudanças sem você fazer nada.

A regra de ouro do CNAME

⚠️ A regra que explica quase todos os erros de CNAME

Um nome que tem um registro CNAME não pode ter nenhum outro registro. Nada de A, MX, TXT ou outro CNAME no mesmo nome — só o CNAME, sozinho. A razão é lógica: o CNAME diz “para tudo deste nome, consulte aquele outro”. Se houvesse um MX ao lado, o DNS não saberia se o e-mail segue o apelido ou o registro local. Para evitar essa ambiguidade, a especificação simplesmente proíbe a convivência.

Essa única regra é a origem da maioria dos problemas com CNAME. E ela leva direto ao erro mais comum de todos.

Por que não se usa CNAME na raiz do domínio

A raiz do domínio (também chamada de apex, zone apex ou naked domain) é o nome sem nada na frente: seusite.com.br, e não www.seusite.com.br.

A raiz obrigatoriamente tem outros registros. Ela precisa de um registro MX para receber e-mail, e quase sempre de registros NS e outros. Pela regra de ouro, se a raiz tivesse um CNAME, ela não poderia ter mais nada — o que quebraria o e-mail e o próprio funcionamento da zona.

Por isso a especificação do DNS não permite CNAME na raiz. E é aqui que muita gente trava: quer que seusite.com.br (sem o www) aponte para uma CDN ou um serviço externo que só fornece um nome, não um IP fixo. Com CNAME proibido na raiz, parece um beco sem saída.

A saída tem dois caminhos:

  1. Registro A com o IP do serviço — funciona, mas só se o serviço tiver um IP fixo. Muitas CDNs não têm.
  2. ALIAS, ANAME ou CNAME flattening — registros especiais que imitam um CNAME na raiz, mas se comportam como um A. O provedor de DNS resolve o nome de destino nos bastidores e devolve o IP já pronto, contornando a proibição. Não fazem parte do padrão original do DNS; são uma extensão que cada provedor implementa com um nome próprio.

Se o seu provedor oferece ALIAS ou ANAME, é isso que você usa para apontar a raiz a um serviço externo. Se não oferece, a alternativa é manter a raiz num registro A e redirecionar tudo para o www (que pode ser CNAME à vontade).

Ao contrário do registro TXT, do qual vários podem coexistir no mesmo nome, o CNAME precisa ficar sozinho.

CNAME record: por que o nome parece “invertido”

Existe uma confusão sutil e muito difundida sobre qual lado é, de fato, o “CNAME” — e vale esclarecer, porque é comum até entre quem já mexe em DNS.

Veja de novo a linha:

www.seusite.com.br CNAME seusite.com.br

No dia a dia, as pessoas chamam o lado esquerdo (www.seusite.com.br) de “o CNAME”. Mas, tecnicamente, isso está trocado. CNAME significa Canonical Name — nome canônico — e o nome canônico é o destino, à direita. O lado esquerdo é o apelido; o lado direito é o nome verdadeiro, o canônico, que dá nome ao registro.

Na prática, a troca não atrapalha a configuração — todo painel de DNS entende o que você quer. Mas saber disso ajuda a ler a documentação técnica sem se perder: quando um texto diz “o CNAME aponta para tal lugar”, ele está falando do valor à direita.

CNAME vs registro A: qual usar

Aspecto Registro A Registro CNAME
Aponta para Um endereço IP Outro nome de domínio
Na raiz do domínio Sim Não é permitido
Convive com outros registros Sim Não — fica sozinho
Se o IP de destino muda Precisa editar o registro Acompanha sozinho
Ideal para A raiz e IPs fixos Subdomínios e serviços externos

A regra prática: a raiz e endereços de IP fixo pedem registro A; subdomínios que seguem outro nome pedem CNAME. O www é o caso clássico de CNAME; o seusite.com.br puro é o caso clássico de A.

O custo escondido: cadeias de CNAME

Um CNAME pode apontar para um nome que, por sua vez, é outro CNAME, que aponta para mais um — formando uma cadeia. O DNS segue cada elo até chegar num registro A e obter o IP.

Funciona, mas cobra um preço. Cada elo da cadeia é uma consulta DNS a mais antes de o navegador saber para onde ir — e essas consultas acontecem em série, uma esperando a outra. Uma cadeia longa adiciona latência perceptível ao primeiro acesso, antes mesmo de o site começar a carregar.

Por isso a recomendação é manter as cadeias curtas: um CNAME apontando direto para o nome que tem o registro A é o ideal. Se você encontrar um subdomínio lento e desconfiar do DNS, vale investigar quantos saltos ele faz — o problema pode estar numa cadeia que cresceu sem ninguém perceber. Ferramentas de diagnóstico como as descritas em problemas de DNS ajudam a rastrear isso.

Como criar um registro CNAME

O caminho geral é parecido em qualquer provedor:

  1. Acesse a zona DNS do seu domínio, no painel de hospedagem ou no registrador.
  2. Crie um novo registro do tipo CNAME.
  3. No campo Nome (ou Host), coloque só o apelido — normalmente o subdomínio, como www ou loja. Não repita o domínio inteiro; o painel completa sozinho.
  4. No campo Valor (ou Destino, Aponta para), coloque o nome canônico completo, terminando em ponto quando o painel exigir: seusite.com.br.
  5. Defina o TTL (tempo de cache) e salve.

Depois de salvar, a mudança não é instantânea: ela depende da propagação de DNS, que pode levar de minutos a algumas horas conforme o TTL anterior. Para conferir se o CNAME já está valendo, um comando resolve:

Windows / Mac / Linux: nslookup -type=cname www.seusite.com.br Mac / Linux (mais completo): dig www.seusite.com.br CNAME +short

Se o comando nslookup devolver o nome canônico, o registro está ativo e propagado ao menos naquele servidor DNS.

Problemas comuns com CNAME

Sintoma Causa provável O que fazer
Painel recusa o CNAME na raiz CNAME não é permitido no apex Use registro A, ou ALIAS/ANAME se houver
E-mail parou depois de criar um CNAME CNAME num nome que tinha MX Remova o CNAME — ele anula os outros registros
Erro “conflito de registros” Já existe outro registro no mesmo nome Um nome com CNAME não aceita mais nada
Subdomínio demora a responder Cadeia longa de CNAMEs Encurte a cadeia — aponte direto ao nome com A
Mudança não aparece Propagação / cache do TTL antigo Aguarde o TTL e teste com dig/nslookup

Os principais registros DNS

O CNAME é um entre vários tipos de registro. Veja onde ele se encaixa:

Registro Aponta para Para que serve
A Um IPv4 Liga um nome a um endereço
AAAA Um IPv6 O mesmo que o A, para IPv6
CNAME Outro nome Cria um apelido para um nome canônico
MX Um servidor de e-mail Diz para onde enviar o e-mail do domínio
TXT Texto livre SPF, DKIM, verificações de domínio
NS Um servidor DNS Define quem responde pela zona

Perguntas frequentes

O que é um registro CNAME?
É um tipo de registro DNS que aponta um nome de domínio para outro nome, em vez de apontar para um endereço IP. Funciona como um apelido: quando alguém consulta o nome com CNAME, o DNS responde qual é o nome canônico de verdade e refaz a busca a partir dele. O uso mais comum é fazer o www apontar para o domínio principal.

Qual a diferença entre CNAME e registro A?
O registro A aponta um nome diretamente para um endereço IP; o CNAME aponta um nome para outro nome. Na prática, o A é usado na raiz do domínio e em IPs fixos, enquanto o CNAME é ideal para subdomínios e para serviços externos cujo IP muda, porque ele acompanha o destino automaticamente sem você precisar editar o IP.

Por que não posso usar CNAME na raiz do domínio?
Porque um nome com CNAME não pode ter nenhum outro registro, e a raiz do domínio obrigatoriamente precisa de outros, como o MX para receber e-mail. Um CNAME na raiz quebraria isso. A solução é usar um registro A, ou os registros ALIAS, ANAME ou CNAME flattening, que imitam um CNAME na raiz mas se comportam como um A.

Um nome com CNAME pode ter outros registros?
Não. Essa é a regra fundamental do CNAME: o nome que tem um registro CNAME não pode ter A, MX, TXT nem qualquer outro registro junto. O CNAME precisa ficar sozinho, porque ele redireciona toda consulta daquele nome para o nome canônico, e a presença de outro registro criaria ambiguidade.

O que significa CNAME?
CNAME é a sigla de Canonical Name, ou nome canônico. O nome canônico é o destino do registro, o nome verdadeiro para o qual o apelido aponta. Por isso, tecnicamente, o “CNAME” é o valor à direita da configuração, e não o apelido à esquerda, embora no dia a dia muita gente chame o apelido de CNAME.

Como testar se um CNAME está funcionando?
Use o comando nslookup -type=cname www.seusite.com.br no Windows, Mac ou Linux, ou dig www.seusite.com.br CNAME +short no Mac e Linux. Se o comando devolver o nome canônico de destino, o registro está ativo e propagado naquele servidor DNS. Se não devolver nada, pode ser que a propagação ainda não tenha concluído.

Quanto tempo o CNAME demora para funcionar?
Depende da propagação de DNS, que varia conforme o TTL configurado no registro anterior. Pode ser de alguns minutos a algumas horas. Enquanto a propagação não termina, alguns servidores DNS já mostram o novo destino e outros ainda mostram o antigo, o que é normal durante a transição.

Posso apontar um CNAME para outro CNAME?
Pode, formando uma cadeia de CNAMEs, e o DNS segue cada elo até chegar a um registro A. Porém, cada elo é uma consulta DNS a mais, feita em série, o que adiciona latência ao primeiro acesso. O recomendado é manter a cadeia curta, com o CNAME apontando direto para o nome que tem o registro A.

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Conclusão

O registro CNAME é o apelido do DNS: ele aponta um nome para outro, e não para um IP, o que o torna a escolha certa para subdomínios como o www e para serviços externos que mudam de endereço. Guarde três coisas: um nome com CNAME não pode ter mais nenhum registro — essa única regra explica quase todos os erros; por isso não se usa CNAME na raiz do domínio, e a saída é o registro A ou o ALIAS/ANAME do seu provedor; e cadeias longas custam latência, então aponte direto para o nome que tem o registro A. Com isso, o CNAME deixa de ser fonte de erro e vira a ferramenta de manutenção que ele foi feito para ser.

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Gustavo Gallas

Analista de sistemas, formado pela PUC-Rio. Programador, gestor de redes e diretor da empresa Homehost. Pai do Bóris, seu pet de estimação. Gosta de rock'n'roll, cerveja artesanal e de escrever sobre assuntos técnicos.

Contato: gustavo.blog@homehost.com.br

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