Um registro TXT é um campo de texto livre no DNS de um domínio, usado para guardar informações que outros serviços leem — principalmente para autenticar e-mail e provar a propriedade do domínio. Diferente de registros como o A ou o MX, que têm um formato rígido, o TXT aceita praticamente qualquer texto. É essa flexibilidade que fez dele o “canivete suíço” do DNS.
Se você já configurou SPF, DKIM ou verificou um domínio no Google, você usou um registro TXT — mesmo sem perceber. Este guia explica o que é o registro TXT, para que ele serve na prática, as regras técnicas que causam a maioria dos erros (aspas e limite de caracteres), e o passo a passo para adicionar um no Registro.br ou em qualquer painel de DNS.
O registro TXT guarda texto livre na zona DNS de um domínio, para que serviços externos leiam. Seus usos mais comuns são a autenticação de e-mail (SPF, DKIM e DMARC são todos registros TXT) e a verificação de propriedade de domínio (Google, Microsoft e outros pedem um TXT para confirmar que o domínio é seu). Ao contrário do CNAME, vários registros TXT podem coexistir no mesmo nome. Para consultar: nslookup -type=txt seusite.com.br ou dig seusite.com.br TXT +short.
Conteúdo
O que é um registro TXT
Os registros de DNS mais conhecidos têm um trabalho único e um formato fixo: o registro A guarda um endereço IP, o registro MX guarda o servidor de e-mail, o CNAME guarda um apelido. Cada um só aceita o tipo de dado para o qual foi feito.
O registro TXT (de text) é diferente: ele guarda texto livre. Foi criado originalmente para associar notas legíveis por humanos a um domínio, mas com o tempo virou um espaço de uso geral — um lugar onde qualquer serviço pode publicar uma informação para ser lida por outros servidores na internet.
A ideia é simples: você coloca um texto no DNS do seu domínio, e qualquer serviço no mundo pode consultá-lo. Como o DNS é público e confiável, e só quem controla o domínio pode editar seus registros, um TXT vira uma forma de o dono do domínio declarar algo publicamente e de forma verificável. É essa característica que sustenta quase todos os usos modernos do TXT.
Para que serve o registro TXT
Na prática, o TXT é usado hoje para algumas finalidades bem definidas:
| Uso | O que faz |
|---|---|
| Autenticação de e-mail | SPF, DKIM e DMARC são publicados como registros TXT |
| Verificação de domínio | Provar a um serviço (Google, Microsoft) que o domínio é seu |
| Validação de certificado | Emitir um SSL provando o domínio via DNS (validação DNS-01) |
| Notas e metadados | Informações diversas que serviços específicos leem |
Os dois primeiros são, de longe, os mais comuns — e vale detalhar cada um.
Autenticação de e-mail (SPF, DKIM, DMARC)
O uso mais frequente do TXT hoje é a autenticação de e-mail. Os três protocolos que protegem um domínio contra falsificação e garantem a entrega das mensagens — SPF, DKIM e DMARC — são todos publicados como registros TXT no DNS.
Um registro SPF, por exemplo, é um TXT que começa com v=spf1 e lista os servidores autorizados a enviar e-mail pelo domínio. O DMARC é um TXT no nome _dmarc com a política de tratamento. Ou seja: quando alguém diz “publique o SPF no seu DNS”, o que está pedindo é a criação de um registro TXT.
Como esse é um assunto grande por si só, ele tem um guia próprio: veja SPF, DKIM e DMARC para entender como os três funcionam e como configurá-los. Aqui, o que importa reter é que o “envelope” de todos eles é o registro TXT.
Verificação de propriedade de domínio
O segundo grande uso: provar que um domínio é seu. Quando você vai usar um serviço que precisa confiar que você controla um domínio — Google Workspace, Microsoft 365, Search Console, ferramentas de e-mail marketing, redes sociais para empresas —, ele quase sempre pede uma verificação por TXT.
O funcionamento é engenhoso: o serviço gera um valor único (algo como google-site-verification=aBc123...) e pede que você o publique como um TXT no DNS do domínio. Só quem controla o domínio consegue fazer isso. O serviço então consulta o DNS, encontra o valor exato que gerou, e conclui: “esta pessoa realmente controla este domínio”. Feito isso, o TXT de verificação pode até ser removido — ele já cumpriu o papel.
É rápido, não afeta o funcionamento do site nem do e-mail, e por isso virou o método padrão de verificação de propriedade na internet.
Validação de certificado SSL
Há ainda um uso técnico importante: emitir um certificado SSL provando o domínio pelo DNS, em vez de por um arquivo no servidor. Essa é a validação DNS-01, em que a autoridade certificadora pede um TXT específico para confirmar o controle do domínio — o único caminho para certificados wildcard. O detalhe desse processo está no guia da porta 80, que compara os métodos de validação.
As regras do registro TXT (onde a maioria erra)
O TXT é flexível, mas tem algumas regras técnicas que causam a maior parte dos erros de configuração.
Cada “string” dentro de um registro TXT tem um limite de 255 caracteres. Valores maiores (como uma chave DKIM longa) precisam ser divididos em várias strings entre aspas, uma seguida da outra — o servidor DNS as junta na leitura. E o conteúdo do TXT costuma ir entre aspas duplas. A maioria dos painéis cuida das aspas automaticamente, mas em painéis manuais o descuido com aspas e com o limite é a causa nº1 de um TXT que “não funciona”.
Além disso, uma regra que diferencia o TXT dos demais — e que é o oposto exato da regra do CNAME:
Vários registros TXT podem coexistir no mesmo nome. Enquanto um nome com CNAME não pode ter nenhum outro registro, um mesmo nome pode ter quantos TXT forem necessários — é comum um domínio ter, ao mesmo tempo, um TXT de SPF, um de verificação do Google, um de verificação da Microsoft, e assim por diante. Eles convivem sem conflito, porque cada serviço procura o TXT com o prefixo que reconhece (v=spf1, google-site-verification=, etc.) e ignora os demais.
Há uma exceção importante dentro dessa regra: só pode haver um registro SPF por domínio. Não é uma limitação do TXT em si, mas do SPF — ter dois TXT de SPF no mesmo nome invalida a autenticação. Se você usa vários serviços de envio, eles devem ser combinados em um único registro SPF, não em vários.
Como consultar um registro TXT
Verificar os registros TXT de um domínio é a forma mais rápida de conferir se um SPF, um DMARC ou uma verificação foram publicados corretamente:
Windows / Mac / Linux: nslookup -type=txt seusite.com.br
Mac / Linux (mais direto): dig seusite.com.br TXT +short O comando nslookup devolve todos os registros TXT daquele nome — normalmente você verá vários, um para cada serviço. Para checar um TXT em um subdomínio específico (como o _dmarc ou uma chave DKIM), basta consultar o nome completo, por exemplo nslookup -type=txt _dmarc.seusite.com.br .
Fazer essa consulta depois de qualquer alteração é essencial, porque a mudança só vale após a propagação de DNS — muitos serviços de verificação falham simplesmente porque foram checados cedo demais.
Como adicionar um registro TXT no Registro.br
Para domínios .br que usam o DNS do Registro.br:
- Acesse registro.br e faça login com a conta dona do domínio.
- Selecione o domínio e vá em Editar zona DNS.
- Adicione uma nova entrada do tipo TXT.
- No campo de nome, coloque o que o serviço pedir: em branco ou
@para o domínio raiz (caso mais comum, como o SPF), ou o nome específico (como_dmarc). - No valor, cole exatamente o texto fornecido pelo serviço — sem alterar nada, respeitando maiúsculas, minúsculas e sinais.
- Salve a zona e aguarde a propagação.
O ponto mais importante é o passo 5: cole o valor exatamente como recebido. Um espaço a mais, uma letra trocada ou uma aspa removida faz a verificação falhar. Copie e cole diretamente da tela do serviço, sem digitar à mão.
Como adicionar um registro TXT em qualquer painel de DNS
Se o DNS do seu domínio é gerenciado pela hospedagem, o processo é feito no painel dela (como o cPanel), mas os campos são sempre os mesmos:
- Tipo: TXT
- Nome / Host: o nome do registro (
@,_dmarc, ou o que o serviço indicar) - Valor / Conteúdo / TXT Data: o texto a ser publicado
- TTL: pode deixar o padrão
Vale o mesmo cuidado do Registro.br: cole o valor exato e confirme, antes de tudo, onde o DNS do domínio está sendo gerenciado — se está no Registro.br ou na hospedagem. Adicionar o TXT no painel errado é um erro comum, e o registro simplesmente não aparece nas consultas porque foi criado numa zona que não é a que responde pelo domínio.
Problemas comuns com o registro TXT
| Sintoma | Causa provável | O que fazer |
|---|---|---|
| A verificação de domínio não conclui | TXT ainda não propagou, ou valor com erro de digitação | Confira com nslookup -type=txt e aguarde a propagação |
| DKIM longo não valida | Chave passou de 255 caracteres numa só string | Divida o valor em strings entre aspas |
| SPF parou de funcionar | Existe mais de um TXT de SPF no domínio | Combine tudo em um único registro SPF |
| O TXT não aparece na consulta | Criado na zona errada (Registro.br x hospedagem) | Adicione no painel que controla o DNS do domínio |
| Valor “certo” mas rejeitado | Espaço extra, aspa faltando ou caractere trocado | Copie e cole o valor exato, sem digitar à mão |
Registro TXT e os outros registros DNS
O TXT é um entre os vários tipos de registro que compõem uma zona DNS. Veja onde ele se encaixa:
| Registro | Guarda |
|---|---|
| A / AAAA | Um endereço IP (IPv4 / IPv6) |
| CNAME | Um apelido para outro nome |
| MX | O servidor de e-mail do domínio |
| TXT | Texto livre (autenticação, verificação) |
Para entender como todos eles se organizam dentro da zona DNS de um domínio, o guia do servidor DNS mostra o quadro completo.
Perguntas frequentes
O que é um registro TXT?
É um tipo de registro DNS que guarda texto livre associado a um domínio. Diferente de registros com formato fixo, como o A ou o MX, o TXT aceita praticamente qualquer texto, para que serviços externos o leiam. Seus usos mais comuns são a autenticação de e-mail (SPF, DKIM, DMARC) e a verificação de propriedade de domínio.
Para que serve o registro TXT?
Serve principalmente para dois fins: autenticar o e-mail do domínio (o SPF, o DKIM e o DMARC são todos registros TXT) e provar a propriedade do domínio a serviços como Google e Microsoft, que pedem a publicação de um TXT único. Também é usado para validação de certificados SSL pelo DNS e para guardar metadados diversos.
SPF e DKIM são registros TXT?
Sim. Tanto o SPF quanto o DKIM e o DMARC são publicados como registros TXT no DNS do domínio. O SPF é um TXT que lista os servidores autorizados a enviar e-mail; o DMARC é um TXT no nome _dmarc com a política; e o DKIM é um TXT com a chave pública. Por isso, configurar autenticação de e-mail é, na prática, criar registros TXT.
Posso ter vários registros TXT no mesmo domínio?
Sim. Ao contrário do CNAME, vários registros TXT podem coexistir no mesmo nome — é normal um domínio ter um TXT de SPF, um de verificação do Google e outros ao mesmo tempo. A única exceção é o SPF: deve haver apenas um registro SPF por domínio, combinando todos os serviços de envio em uma só linha.
Como adicionar um registro TXT no Registro.br?
Acesse o registro.br, faça login, selecione o domínio e vá em Editar zona DNS. Adicione uma entrada do tipo TXT, informando o nome (em branco ou @ para a raiz, ou o nome específico como _dmarc) e colando no valor exatamente o texto fornecido pelo serviço. Salve e aguarde a propagação. O mais importante é colar o valor sem alterar nada.
Como consultar os registros TXT de um domínio?
Use nslookup -type=txt seusite.com.br no Windows, Mac ou Linux, ou dig seusite.com.br TXT +short no Mac e Linux. O comando lista todos os registros TXT do nome. Para um subdomínio específico, como uma verificação DKIM ou o DMARC, consulte o nome completo, por exemplo _dmarc.seusite.com.br.
Por que meu registro TXT não funciona?
As causas mais comuns são: a propagação de DNS ainda não terminou; o valor foi digitado com algum erro (um espaço extra, uma letra trocada); uma chave longa passou de 255 caracteres sem ser dividida em strings; ou o registro foi criado na zona errada (no Registro.br quando o DNS está na hospedagem, ou vice-versa). Confira sempre com nslookup ou dig.
Qual o limite de tamanho de um registro TXT?
Cada string dentro de um registro TXT tem o limite de 255 caracteres. Valores maiores, como chaves DKIM, precisam ser divididos em várias strings entre aspas, colocadas em sequência — o servidor DNS as concatena na leitura. A maioria dos painéis modernos faz essa divisão automaticamente, mas em painéis manuais é preciso atenção.
No e-mail profissional da Homehost os registros TXT de SPF, DKIM e DMARC já vêm configurados, e o DNS fica num painel simples com suporte em português — sem você caçar campo, contar caractere nem se perder nas aspas.
Conhecer o e-mail profissionalConclusão
O registro TXT é o campo de texto livre do DNS — o mais flexível de todos, e por isso o mais versátil. Guarde o essencial: ele serve, acima de tudo, para autenticar e-mail (SPF, DKIM e DMARC são todos TXT) e para provar a propriedade de um domínio a serviços externos; ao contrário do CNAME, vários TXT convivem no mesmo nome (com a única exceção do SPF, que deve ser único); e a maioria dos erros vem de detalhes de digitação — um valor colado errado, uma aspa faltando ou o limite de 255 caracteres. Na dúvida, um nslookup -type=txt mostra exatamente o que está publicado. Com isso, o TXT deixa de ser aquele campo misterioso do painel e vira uma ferramenta que você configura com confiança.